sábado, 4 de abril de 2020

Virus Chinês. Algo está errado com esse vírus.

* Virus Chinês. Algo está errado com esse vírus.
🔹 Wuhan para Xangai = 629 km
🔹 Wuhan para Pequim = 1052 km
🔹 Wuhan para Milão = 8700 km
🔹 Wuhan para Nova York = 12000 km
🔹 Wuhan para São Paulo = 17.964 km
🔹 Wuhan para Londres = 8880 km
🔹 Wuhan para Paris = 8900 km
🔹 Wuhan para Espanha = 9830 km
🔹 Wuhan para Índia = 3575 km
🔹 Wuhan para Irã = 6560 km
Algo está errado…!
O vírus chinês se originou da cidade de Wuhan, na China, e agora chegou a todos os cantos do mundo, mas esse vírus não atingiu a capital da China: Pequim e a capital econômica: Xangai, perto de Wuhan. Por que?
🎈 Pequim é a cidade onde todos os líderes da China vivem, os líderes militares moram lá, aqueles que controlam o poder da China moram lá, e Pequim não foi fechada, não entrou em quarentena, não entrou em lock-down. Está aberta! O vírus chinês não tem efeito lá. Por que?
🎈 Xangai é a cidade que administra a economia da China, é a capital econômica da China, lá vivem todas as pessoas ricas da China! Aqueles que mantêm a indústria funcionando. Não há bloqueio lá, a vírus chinês não tem efeito lá!!! * Por quê ...? *
O vírus chinês é um vírus pandêmico. Foi informado de que se deve criar pânico em todo o mundo, mas não virá a Pequim e Xangai.
É muito importante fazermos à China essa pergunta.
O vírus chinês criou terror nas grandes cidades do mundo, então por que esse vírus não chegou a Pequim ...? Por que não chegou a Xangai ...? * Por quê ...? *
🎈 Pequim e Xangai são as áreas adjacentes a Wuhan! O vírus de Wuhan chegou a todos os cantos do mundo, mas não chegou a Pequim e Xangai…! * Por quê ...? *
🎈 Hoje, toda a Índia e 1.3 bilhões de pessoas está trancada. Nossa economia está paralisada, mas todas as principais cidades da China estão abertas e, a partir de 8 de abril, a China também está abrindo Wuhan! O mundo inteiro está assolado pelo terror! Entretanto, novos casos não estão chegando na China e a China está aberta ...! * Por quê ...? *
🎈 Outra grande coisa é que o mercado de ações em todo o mundo caiu quase pela metade! Mas não há efeito desse vírus no mercado chinês…! * Por quê ...? *
Quaisquer que sejam essas coisas, elas apenas apontam para uma coisa: o vírus chinês é uma arma biológica da China, que a China deixou para destruição no mundo! Depois de matar algumas pessoas, a China agora controlou esse vírus! Talvez ela também tenha remédios que não está compartilhando com o mundo!
*Por quê…?*

terça-feira, 30 de abril de 2019

CORRUPÇAO NA DITADURA

O Grupo Halles surgiu no boom de criação de instituições financeiras da década de 60. Era notoriamente conhecido como um dos bancos mais agressivos no começo da década de 70. O Halles chamava atenção também por sua coleção de arte, que continha vários painéis de Portinari, incluindo o original encomendado pelo magnata Assis Chateaubriand para decorar a sede da revista O Cruzeiro. Orgulho de seu fundador, Francisco Pinto Jr., o banco entrou na onda da multiplicação de dinheiro aproveitando os juros da política de venda de títulos do governo brasileiro – pensada justamente para salvar as instituições financeiras.
Refém de empréstimos no exterior, o esquema encontrou seu fim com a elevação absurda da inflação e as crises do petróleo, que apertaram o cerco e impediram que o esquema fosse renovado e o Banco Halles se viu em uma situação totalmente insustentável.
“Então ele faliu e todo mundo quebrou”, você deve estar pensando.
É, não exatamente. Conheça o caso.
POST BANCO HALLES

O CASO HALLES
Por Aloysio Biondi – disponível neste link

Sempre contornando a lei, nenhum setor ganhou tanto e proporcionou tanto lucro aos grandes grupos, nos últimos anos, quanto o mercado financeiro. As vítimas diretas foram os investidores que perderam suas poupanças na quebra de financeiras, como em 1968 e 1969, ou na queda de cotações e quotas de Fundos de Investimentos, ante a baixa nas Bolsas, a partir de 1972.

Por mais simpatia que se tenha para com as perdas do pequeno investidor, esse não é, porém, o ponto mais grave da questão. O que importa é que a especulação no mercado de capitais tem resultados danosos sobre toda a economia — ou, em outras palavras, suas vítimas indiretas são os 100 milhões de brasileiros, às custas dos quais uma minoria tem realizado lucros fabulosos. As aberrações no mercado de capitais contribuem para perpetuar a inflação — que se pretende combater com a contenção dos salários. E, ainda retardam (e distorcem) o processo de desenvolvimento, já que a poupança do país não é utilizada para a execução de projetos, a montagem de fabricas, a criação de empregos e fontes de renda, enfim — mas para a especulação e lucros de grandes grupos.

Depois das estripulias nas Bolsas de Valores em 1971, o mercado financeiro concentrou-se no “jogo de ganhar juros” no “mercado aberto”. Sem que a opinião pública fosse alertada, montou-se uma nova fonte de inflação e de concentração de renda. E de endividamento no exterior — pois o Brasil tomava empréstimos no exterior apenas para serem aplicados em títulos de renda fixa.

A GRANDE GOELA
Apesar de desconhecido do grande público, o “mercado aberto” movimentou mais de 100 bilhões de cruzeiros em 1973. E isso somente em Letras do Tesouro Nacional. Enquanto o recorde de movimento diário nas Bolsas, no auge da “corrida”, mal passou de 100 milhões de cruzeiros, o open market está movimentando, neste começo de ano, entre 2,5 e 3 bilhões de cruzeiros — sempre levando-se em conta apenas as Letras do Tesouro Nacional, e não os demais títulos nele negociados.

Como surge esse monstro? Ele tem relação direta com o modelo de desenvolvimento aberto para o exterior — e a política de endividamento externo adotada nos últimos anos. É simples entender. Numa explicação esquemática:

  • Uma empresa obtém um empréstimo, em dólares, no exterior;

  • Com os dólares “na mão”, procura o Banco Central do Brasil para trocá-los por cruzeiros (pois ela só pode gastar cruzeiros dentro do Brasil);

  • O Banco Central, para trocar esses dólares, precisa, evidentemente, “emitir” cruzeiros para entregar à empresa;

Agora, um parêntese — para que servem os dólares tomados emprestados no exterior? Exatamente para que o país pague seus compromissos externos, a saber: importações, juros de empréstimos (ou os próprios empréstimos), lucros que devem ser remetidos a matrizes de subsidiárias, etc. Assim:

  • Uma empresa precisa pagar uma importação que realizou (ou qualquer outro compromisso assumido no exterior).

  • O pagamento, evidentemente, será em dólares. Então, a empresa procura o Banco Central, para comprar esses dólares. Isto é, entregará cruzeiros ao Banco Central, e receberá dólares.

  • Tudo se passa como se o Banco Central, que emitiu cruzeiros para comprar dólares de uma empresa que obteve empréstimo no exterior, recebesse esses cruzeiros de volta, de uma empresa que precisa comprar dólares para realizar pagamentos no exterior.

Isso, em situações de normalidade. A partir de 1972, porém, a enxurrada de dólares entrados no Brasil era maior do que as necessidades de pagamentos no exterior. Então, o que acontecia? O Banco Central comprava os dólares de empresas que tomavam empréstimos no exterior, e não tinha a quem vender esses dólares, que passavam a formar as chamadas “reservas”. E, como não vendia os dólares, também não recebia, de volta, os cruzeiros que havia emitido para comprá-los. No final das contas, isso significava que a quantidade de cruzeiros emitidos aumentaria rapidamente. Qual o mal? Diz a teoria que um excesso de dinheiro em mãos do público provoca a inflação. Para evitá-lo, surgiu o open market, ou mercado aberto.

À medida que sobrassem dólares no Banco Central, cresceria o papel-moeda em circulação; uma forma de recolhê-lo de volta aos cofres do Banco Central seria a venda de títulos do governo, as Letras do Tesouro Nacional — pois o comprador dos títulos entrega cruzeiros ao Banco Central, que os retira de circulação. As LTN têm um prazo de 90 e 180 dias. Ora, era preciso vender LTNs em quantidades maciças, pois, como as reservas cresciam rapidamente, as emissões em cruzeiros corriam o risco de tomar o mesmo ritmo. Para atrair grandes compradores — isto é, empresas e as próprias instituições financeiras — permitiu-se que as LTN fossem, revendidas. Uma empresa compra 100 milhões cm LTN e, apesar do prazo de vencimento ser de 90 e 180 dias, pode revendê-las, a outra empresa, muito antes desse prazo. Como uma “Bolsa” para LTNs (e Obrigações Reajustáveis do Tesouro), surgiu o “mercado aberto”. Grandes instituições financeiras (bancos de investimentos, corretoras) montaram esquemas de forma que a empresa A comprasse LTNs por três dias, e já houvesse outro cliente B para recomprá-las por cinco dias e depois passá-las a um cliente C, e assim sucessivamente. Qual o interesse de todas essas empresas? Receber juros e correções monetária, pagos pelo governo, aos compradores de LTNs.

RAPOSAS VELHAS
As financeiras vendem letras de câmbio também com prazo de meses para resgate — e estão proibidas de recomprar essas letras, antes de vencido o prazo. Os bancos de investimentos e bancos comerciais podem aceitar depósitos a prazo fixo, também de meses, sobre os quais pagam juros e correções monetária, e que também só podem ser sacados apôs aquele prazo.

Hoje, no entanto, além dos títulos do governo, o “mercado aberto” negocia também letras de câmbio, letras imobiliárias e certificados de depósito bancário aos mesmos prazos curtíssimos, de até três dias.

Quais os males dessa situação, e por que o Banco Central hesitou em combatê-los, em 1973? Aqui entra em cena o endividamento externo do Brasil — e seus efeitos inflacionários.

O Brasil assumiu uma dívida de 13 bilhões de dólares, dos quais aproximadamente 8 bilhões de dólares correspondem a empréstimos em moeda.

Ora, um financiamento externo tem sua aplicação vinculada, isto é, o empréstimo é concedido para a compra de equipamentos, ou montagem de uma fábrica, contribuindo portanto para o crescimento econômico. Inversamente, o empréstimo em moeda é livremente utilizado pela empresa que o toma. Qual foi o destino dos empréstimos externos ao Brasil nos últimos anos? Serviram para alimentar a especulação (inclusive a com imóveis) — e a inflação, sob várias formas.

UM TRISTE BALANÇO
O “mercado aberto” falhou como arma para conter a expansão do dinheiro em circulação — e, mais ainda: contribuiu, até, com essa expansão. Efetivamente, segundo dados do Banco Central, as emissões de papel-moeda, em 1973, atingiram 6 bilhões de cruzeiros — e o meio circulante cresceu de 11,3 bilhões de cruzeiros para 17,2 bilhões de cruzeiros, ou o dobro do total de 8,5 bilhões de cruzeiros registrado no final de 1971. Com isso, os meios de pagamento (isto é, o dinheiro “girando” dentro da economia, esquematicamente) cresceram quase 50%, contra uma previsão de apenas 20% — provocando inflação.

Teve-se, em 1973, um quadro muito semelhante ao registrado em 1968. Apesar da grande expansão do dinheiro em circulação, as empresas têm dificuldades em obter crédito nos bancos. Onde estaria o dinheiro? Em 1968, ele estava nas mãos de algumas poucas empresas — e instituições financeiras — que manobravam para derrubar o cruzeiro, isto é, para forçar sua desvalorização, e, com isso, realizar grandes lucros. Em 1973, o dinheiro foi parar nas mãos das grandes empresas — e instituições financeiras — para uma especulação também lucrativa: o jogo de ganhar juros, com a compra dos títulos de renda fixa (letras de câmbio, letras imobiliárias, certificados de depósitos bancários) e operações no open market.

Esse jogo pode ser efetuado sob duas formas: ou com a obtenção de empréstimos no exterior, ou com o levantamento de recursos nos próprios bancos brasileiros:

  1. a) Empréstimos externos — como visto, os cruzeiros resultantes desses empréstimos são de livre aplicação. Tornou-se comum as grandes empresas — e também as instituições financeiras— realizarem empréstimos apenas para comprar títulos. Por quê? As taxas de jures no mercado internacional não vão além de 10%, e já estiveram a 7% ao ano. Mesmo com as desvalorizações do cruzeiro, ainda em 1972 era possível obter empréstimos no exterior a um custo final (juros do banqueiro internacional, mais desvalorizações) de 24% e 27% ao ano, e aplicá-los, internamente, naqueles títulos, para obter uma renda de 27% a 30%, ganhando juros de 3% a 6% ao ano (o que pode parecer irrisório, mas não é, levando-se em conta as fabulosas quantias aplicadas no mercado financeiro, nos últimos anos).

  1. b) Empréstimos internos — em certas operações, as empresas podem obter “empréstimos” nos bancos brasileiros a juros de 1,3% e 1,5% ao mês. Nesse caso, torna-se altamente vantajoso conseguir tais recursos, e aplicá-los em letras de câmbio e outros títulos, a 2,5% e 3% ao mês, embolsando a diferença de juros. Essas distorções explicam os incríveis saltos na venda de títulos de renda fixa no Brasil entre o final de 1971 e o final de 1973. Em dois anos, o total de letras de câmbio passou de 11,8 bilhões de cruzeiros para 36 bilhões de cruzeiros, triplicando (o total é equivalente ao dobro do papel-moeda emitido pelo governo e em circulação no país); as letras imobiliárias dobraram de 3,2 bilhões de cruzeiros para 6,6 bilhões de cruzeiros; os depósitos a prazo fixo dos bancos de investimento (com certificado) passaram de 1,6 bilhões de cruzeiros para 7 bilhões de cruzeiros.

EUFÓRICOS BALANÇOS
O jogo de ganhar juros pode ter sua dimensão avaliada pelos resultados dos balanços das empresas: o melhor exemplo continua a ser os resultados obtidos pela Ericsson, que em 1973 obteve um lucro financeiro, isto é, resultante de juros e correção monetária, no montante de 29,4 milhões de cruzeiros, ou praticamente a metade do lucro resultante de suas operações, que chegou a 62 milhões de cruzeiros. O próprio balanço da Ericsson, aliás, pode levar a acreditar que, no Brasil, vinha sendo mais conveniente entrar no “jogo de ganhar juros” do que produzir: o lucro operacional da empresa caiu de 76,6 milhões de cruzeiros para 62 milhões de cruzeiros, de 1972 para 1973, enquanto o “lucro financeiro” subia de 13,5 milhões de cruzeiros para 29,4 milhões de cruzeiros.

Para as grandes empresas, o mercado aberto e a expansão dos títulos de renda fixa foi um alto negócio — como para as instituições financeiras, que evidentemente também participaram dele.

Para o país, o mercado aberto estava sendo um péssimo negócio. Apesar da grande expansão do dinheiro em circulação, faltava crédito para atender aos negócios das pequenas e médias empresas (centenas de milhares). Com isso, havia duas conseqüências, ambas inflacionárias:

  • de um lado, o governo hesitava em reduzir a expansão dos meios de pagamento, com medo de que a “escassez” de crédito (que, na verdade, não existe; o que existe é uma concentração do dinheiro em um setor) se acentuasse, provocando uma crise de liquidez, com falência e queda no ritmo de negócios;

  • de outro lado, o mercado financeiro, argumentando que havia “escassez” de dinheiro, passou a cobrar taxas de juros mais altas de seus clientes — e a pagar taxas de juros mais altas aos participantes do “jogo”.

FIM À ROTINA
A inflação ganhou intensidade, nesse começo de ano. O mercado financeiro, que já vinha adotando juros mais altos que os permitidos pelo governo, iniciou uma campanha para sua elevação oficial, sempre argumentando com a “escassez de dinheiro”, e alegando que, com a maior inflação, era preciso pagar juros mais altos aos compradores de títulos, ou eles teriam prejuízo — esquecendo-se de dizer que os juros no Brasil já são os mais altos de todo o mundo.

O mercado financeiro acreditava que a batalha estava ganha, a partir de dois dados:

  1. a) Rotina — desde 1967 todas as pretensões do mercado financeiro foram acolhidas pelas autoridades monetárias. Às vezes encenava-se uma redução na taxa de juros — mas ela era, na prática, elevada através de outros subterfúgios;

  1. b) A situação cambial do Brasil — e aqui volta à cena a política de endividamento. O Brasil precisa pagar este ano ao exterior, pelos cálculos mais otimistas, nada menos de 5,3 bilhões de dólares, dos quais 1,5 bilhão de dólares correspondem ao déficit na balança comercial (importações maiores que as exportações); 1,8 de amortização da dívida, e cerca de 2 bilhões em serviços (juros da dívida, remessas de lucros, royalities, turismo, fretes). Ora, esses 5,3 bilhões de dólares não entrarão no Brasil através de empréstimos de governo a governo, ou de instituições financeiras, como o BID, ao governo brasileiro. Eles terão que ser obtidos através de empréstimos às empresas situadas no Brasil (nacionais, ou subsidiárias de matrizes estrangeiras). E aí surge o “nó” do modelo brasileiro: o que é que as empresas fariam com 5,3 bilhões de dólares tomados emprestados no exterior? Eles terão que ser, forçosamente, aplicados na compra de papéis de renda fixa, isto é, no mercado aberto – que deve oferecer juros altos, para compensar os juros pagos aos banqueiros internacionais, e ainda deixem um lucro às empresas “tomadoras” dos empréstimos, ou elas não se interessarão pelos empréstimos — e o país ficará sem as divisas para pagar seus compromissos.

Foi jogando nesses dados que o mercado financeiro começou a elevar as taxas de juros, constantemente, nos últimos meses, procurando criar uma situação de fato que seria apenas “oficializada” pelo governo.

A euforia no mercado financeiro acumulou distorções. A pretexto de que o crédito era escasso, e era preciso atender às empresas, os bancos comerciais emprestaram acima de sua capacidade. As financeiras, emissoras de letras de câmbio, deram início a operações que “driblam” a legislação, através das “promotoras de vendas” — e passaram a enfrentar dificuldades no recebimento de prestações devidas por compradores de bens através do crediário (não se afasta a hipótese, também, de que tenham ocorrido emissões de letras de câmbio “frias”, isto é, sem o “apoio” de uma operação de compra e venda).

Para coroar, houve a mudança no mercado mundial de dinheiro, como resultado da crise do petróleo, e tornou-se mais difícil, para os bancos de investimentos ou bancos comerciais, lidar com os banqueiros internacionais: em lugar da esperada renovação dos empréstimos, surgiu a necessidade de liquidá-los.

Para não reduzir seu ritmo de negócios, ou mesmo para fugir a situações vexatórias, os grupos financeiros passaram a lançar mão dos expedientes de que dispunham: a) oferecer taxas de juros ainda mais altas ao investidor, procurando “fazer caixa”, isto é, obter recursos a qualquer preço; ou b) transferindo recursos de uma instituição do grupo para outra — o que é ilegal.

Nos últimos anos, o mercado financeiro realizava tais operações tranqüilamente. Sabia que atingido um ponto crítico, surgiriam socorros do Banco Central. Sempre a pretexto de não abalar a confiança do público no mercado financeiro, milhões de cruzeiros eram emprestados pelo Banco Central para “corrigir” irregularidades cometidas. Quando elas eram irreparáveis, as autoridades monetárias resolviam a questão diplomaticamente: arrumavam um comprador (a quem emprestavam dinheiro para a compra), encenavam uma “fusão”, e as irregularidades não vinham a público. A tática seria plenamente elogiável se não tivesse dois senões:

  1. a) os responsáveis pelas irregularidades tinham suas torturas intocadas;

  1. b) o mercado continuava a cometer as mesmas irregularidades, certo da impunidade — e da “socialização dos prejuízos”.

O ministro Mário Henrique Simonsen anunciou que, para combater a inflação, os meios de pagamento terão sua expansão contida, este ano, ao nível de 35% (note-se bem: os meios de pagamento vão crescer de 100% para 135%, e não cair em 35%, isto é, de 100% para 65%, em 1973, como o mercado financeiro tenta fazer o publico acreditar, para justificar a “escassez de crédito”).

O ministro sabe que, para essa contenção, é preciso que os bancos e os demais agentes financeiros operem dentro de determinados limites – os limites decididos pelas autoridades monetárias. Nas últimas semanas, talvez testando a nova administração, o mercado financeiro continuou a agir no velho estilo.

A elevação da taxa de juros no mercado aberto e o desrespeito aos limites de operação dos bancos constituíam o mais importante foco inflacionário que o país enfrenta no momento, pois ele ameaçava eternizar a exagerada expansão dos meios de pagamento. A intervenção no grupo Halles surgiu como uma advertência de que a tolerância chegou ao final. A advertência foi ouvida: no final da semana, as taxas de juro no “mercado aberto” declinavam verticalmente após terem chegado até 4% ao mês.

Restou uma pergunta no ar: como fazer para trazer dólares do exterior, e pagar os 5,3 bilhões de dólares de compromissos herdados para este ano? Com decisão, o governo pode contornar também esse problema.


segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Panama Papers: O que o escândalo pode mudar no sistema financeiro mundial Marina Wentzel De Basileia (Suíça) para a BBC Brasil

O vazamento de mais de 11 milhões de documentos da firma panamenha Mossack Fonseca retirou o manto de anonimato de atividades legais e ilegais de pessoas e empresas, que mantinham patrimônio e transações ocultas em empresas registradas em paraísos fiscais.
Como a exposição de contas de chefes de Estado, grandes empresas, celebridades e organizações vai refletir no modo de o mercado financeiro se organizar? Estarão as empresas offshore com os dias contados?
A BBC Brasil conversou com especialistas que acreditam que os chamados Panama Papers deverão ajudar a controlar o fluxo de dinheiro obscuro e acelerar a implementação de novos instrumentos legais e tecnologias – que, da mesma forma, poderão ser utilizados tanto para o bem quanto para o mal.
É importante lembrar que contas offshore não são por si só ilegais, desde que devidamente declaradas ao Fisco: podem ser uma forma de investir-se em bens e ativos no exterior. Muitas vezes, porém, transações em paraísos fiscais são usadas para evadir impostos, lavar dinheiro ou ocultar o real dono da fortuna depositada.
"O caso (dos Panama Papers) vai ajudar a controlar o fluxo de dinheiro ilícito", opina Mark Pieth, professor de criminologia da Universidade da Basileia e diretor do Basel Institute of Governance.
Pieth esteve no Panamá assessorando jornalistas que investigaram o caso. Ao todo, mais de 107 veículos de comunicação do mundo se mobilizaram para revisar os dados. Entre os profissionais auxiliados por Pieth estava o núcleo investigativo que estabeleceu a conexão entre o líder russo Vladimir Putin e o seu amigo músico Sergei Roldugin, suspeito de servir como laranja para o político – algo que o governo russo nega.
"Por muito tempo aceitamos a existências desses centros offshore. Todos criticavam, mas quando chegava a hora de fazer algo a respeito todo mundo tinha o seu próprio pequeno paraíso. Veja a França com Mônaco, a Suíça com Liechtenstein, a Grã-Bretanha como as Ilhas do Canal; a Holanda com Aruba e os Estados Unidos com Delaware", constatou Pieth.
"Ao ver quem tem essas contas, você entende por que os políticos não estiveram seriamente interessados em combater (os paraísos fiscais). O caso do premiê britânico, por exemplo, cuja a família tem contas lá, é muito interessante", disse em referência a Ian Cameron, pai de David Cameron.
O fundo de investimentos de Ian estava registrado em um paraíso fiscal, o que permitia que não pagasse impostos no Reino Unido.

Legislação

Segundo Pieth, os Panama Papers ajudarão a acelerar ferramentas legais para combater ilegalidades nesse meio, especialmente no âmbito da OCDE (organização que reúne países mais desenvolvidos), onde medidas coordenadas já vem sendo discutidas.
A organização compilou um pacote de recomendações para lidar com o problema de BEPS (Base Erosion Profit Shifting), que em tradução livre significa a erosão da base tributária e o deslocamento de lucro.
BEPS ocorrem quando empresas adotam estratégias fiscais agressivas, que se aproveitam de brechas nas leis para evitar o pagamento de impostos. O lucro é maquiado ou desviado para localidades onde a atividade econômica não aconteceu, com o único objetivo de sonegar.
"As pessoas estão cansadas de ver as empresas indo para esses paraísos por causa da evasão fiscal", diz Pieth.
Um exemplo descoberto no vazamento dos Panama Papers ocorreu em Uganda. Uma petroleira evadiu US$ 400 milhões em impostos. O dinheiro, que poderia ter servido aos cidadãos, foi remetido repetidas vezes a diversos paraísos fiscais embaralhando a rota de evasão. Após anos de litígio, o montante não pode ser resgatado pelo país africano.
Os mecanismos usados pela Mossack Fonseca, entretanto, não atendiam somente clientes corporativos.
Em 2005, lei da União Europeia passou a exigir que bancos retivessem impostos diretamente nas contas de clientes residentes no continente. Por causa da nova legislação, os bancos passaram a recomendar aos correntistas que abrissem empresas em paraísos fiscais como forma de evitar impostos.
Somente naquele ano, a Mossack Fonseca ajudou a criar 1.814 empresas de fachada. Foi um salto expressivo em comparação às 543 abertas em 2004, ano anterior.
Entre todas as mais de 210 mil empresas de fachada criadas desde os anos 70, praticamente um terço delas foi fundado entre os anos de 2005 e 2008, justamente após a mudança da lei europeia.

Crimes

Diretor do Instituto de Pesquisa em Finanças da Universidade de Genebra, o professor Harald Hau afirma que empresas offshore em paraísos fiscais trazem problemas mesmo quando envolvem operações que transcorrem dentro da lei.
"Empresas de fachada obstruem a justiça em países emergentes. A real questão não é tanto se a estrutura é legal ou não. Isso é uma cortina de fumaça. A questão é que atividades fraudulentas não podem ser levadas à justiça porque evidências importantes – ou seja, o rastro do dinheiro – estão ocultas", explica.
Hau acredita que acabar com as empresas de fachada em paraísos fiscais não será possível, mas o escândalo do Panamá contribuirá para o enfraquecimento desse modelo e novas tecnologias que permitam rastrear a origem do dinheiro serão uma realidade no futuro.
"Blockchains (sistema que ajuda a atestar a validade contábil de uma transação) registram a propriedade a qualquer momento. Se os ativos mais importantes do mundo já estivessem sujeitos a essa transparência, este seria um mundo muito melhor", acredita.
A tecnologia blockchain está presente no código criptografado das moedas virtuais. Cada nova transação realizada por uma unidade monetária está atrelada à transação anterior, como uma anotação de entrada e saída. Isso ocorre sucessivamente de modo que todo o histórico de movimentação possa ser remontado.
Apesar da capacidade de rastreamento digital, ainda assim o sistema estaria vulnerável a fraudes no mundo real: "empresas de fachada ainda poderiam ser donas de títulos nessas moedas", exemplifica Hau.
A eficiência das moedas digitais é de toda forma controversa, pois não há lastro (reserva de valor) nem a garantia dada por uma instituição emissora (banco central).
Além disso, atividades ilegais que ocorrem na internet são muitas vezes negociadas por meio dessas moedas virtuais, em sites que agem como atravessadores.
"O ponto é que a tecnologia blockchain poderá levar em última instância à transparência de todos os ativos globais dependendo da forma como venha a ser implementada", aposta Hau. "Mas no momento ainda estamos muito longe disso."

segunda-feira, 21 de março de 2016

Justiça paralisa ações contra corrupção no fisco do governo Alckmin

Judiciário suspendeu tramitação de processos de corrupção no ICMS por "problema de competência". Desvios são de ao menos 400 milhões de reais
por Henrique Beirangê — publicado 21/03/2016 05h22, última modificação 21/03/2016 17h00
Divulgação
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A investigação identificou que fiscais e a cúpula da Secretaria da Fazenda estava envolvida num esquema de corrupção e extorsão


A Justiça de São Paulo determinou a suspensão de todos os processos judiciais em andamento contra a máfia do ICMS no governo Geraldo Alckmin. O desembargador José Orestes de Souza Nery atendeu ao pedido da defesa de um dos investigados de que haveria dúvida de competência quanto a qual vara criminal deveria ser responsável pelo andamento dos autos.
Com isso, as ações ficam paradas por tempo indeterminado. Outra decisão do Judiciário paulista que também atrapalhou as investigações foi determinar a soltura de todos os dez acusados de envolvimento no esquema.
A prisão preventiva foi concedida em primeira instância, mas derrubada após um mês no TJ paulista. A decisão permitiu que as defesas dos investigados paralisassem o estudo de delações premiadas.
Não há mais expectativa de serem citados por delatores os nomes de políticos ligados ao governo do PSDB no esquema. Apenas um dos envolvidos fez delação, mas entregou apenas nomes intermediários dos desvios. 
A investigação do Gedec, órgão do MP paulista, identificou que fiscais e a cúpula da Secretaria da Fazenda estavam envolvidos num esquema de corrupção e extorsão. Os agentes cobravam propinas de grandes empresas para sustar dívidas tributárias. A investigação tem lastro com a Operação Yellow, que apurou sonegação de 2,7 bilhões de reais dos cofres paulistas.
A nova investigação aponta desvios de pelo menos outros 400 milhões de reais. Um policial que participou da investigação reclama da atuação do Judiciário paulista. "Apurações contra o governo paulista são enterradas no TJ de São Paulo."
O inquérito aponta para o envolvimento de deputados e secretários de governo. O dinheiro desviado seria usado para abastecer campanhas de partidos políticos. Uma das peças da investigação é o doleiro Alberto Youssef.
Apesar da extenuante rotina de inquirições em Curitiba, quase diárias, Youssef parece ter decidido contar apenas parte da história de suas negociatas.
Um dos enredos ainda obscuros é o esquema de propina que envolve personagens investigados no escândalo de desvios de ICMS. O doleiro afirmou apenas ter intermediado o pagamento a fiscais a pedido do lobista Júlio Camargo, o mesmo que diz ter repassado 5 milhões de dólares ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Camargo era dono de uma empresa responsável pela coordenação comercial da Prysmian Cabos e Sistemas do Brasil, que assumiu a divisão de cabos elétricos da Pirelli. 
Após ser alvo de achaque, a Prysmiam teve de desembolsar 16 milhões de reais para não ser autuada em multas que poderiam alcançar os 400 milhões por causa de supostas irregularidades na importação de cobre. Youssef foi quem operacionalizou pagamentos no exterior e em espécie aos fiscais.
Com o dinheiro desviado, os fiscais, intermediários de políticos, levavam vidas suntuosas com carros importados e mansões.
Com a decisão do TJ de suspender os processos, a possibilidade de se chegar até os líderes do esquema se esvaiu.

Governo Alckmin bate recorde de corrupção: Siemens denuncia superfaturamento no metrô.

A multinacional alemã Siemens denunciou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), órgão do Ministério da Justiça, formação de cartel entre empresas para superfaturar licitações de equipamentos para o metrô com preços até 20% superiores aos de mercado.

Traduzindo para o popular: a povo que foi às ruas reclamar do transporte público poderia ter um metrô mais confortável, menos lotado e com mais estações com o mesmo dinheiro público que foi superfaturado no governo tucano.

A empresa alemã denunciou dentro do conceito de "delação premiada", colaborando com as investigações para escapar de uma punição maior.

Além da Siemens, o esquema envolveria ainda outras multinacionais, como a Alstom (já investigada por pagar propinas a tucanos paulistas), a canadense Bombardier, a espanhola CAF e a japonesa Mitsui

De acordo com as denúncias, o cartel dos fabricantes de equipamentos atuou em seis licitações e o prejuízo total para o governo paulista ainda não foi totalmente estimado. Segundo a investigação do Cade, o conluio envolveria ainda as empresas TTrans, Tejofran, MGE, TCBR Tecnologia, Temoinsa, Iesa e Serveng-Civilsan. Destas, a Tejofran é fortemente ligada ao PSDB e cresceu exponencialmente nos governos de Mario Covas.

Paciência do povo com a corrupção no governo Alckmin está chegando ao fim

Pego em mais essa saia justa, o governador tucano disse que vai "conduzir uma investigação própria". Investigação própria uma ova. O caso é para uma mega-operação da Polícia Federal e para o Ministério Público tirar o traseiro dos gabinetes refrigerados e parar de blindar tucanos, afinal a derrubada da PEC 37 serviu para quê?

Essa investigação do CADE já é desdobramento de denúncias de fevereiro de 2011, conforme o vídeo abaixo.

Cadê a "investigação própria" do Alckmin de 2011?

A resposta é uma enorme operação abafa para acabar em pizza. O governo Alckmin usou seu rolo compressor na Assembléia Legislativa para impedir uma CPI pedida pela oposição.

Agora que o povo foi às ruas reclamando do transporte urbano, a CPI da corrupção no Metrô e CPTM tem que ser desengavetada na Assembléia Legislativa, convocando o governador para explicar qual foi o resultado da "investigação própria" desde o escândalo da Alstom, muito parecido com este, estourado há 5 anos atrás.

No TCE-SP, raposas tomam conta do galinheiro

No escândalo Alstom, contas bancárias na Suíça atribuídas como sendo do ex-deputado tucano Robson Marinho foram bloqueadas. Até hoje Robson Marinho continua como conselheiro e vice-presidente do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, órgão responsável por fiscalizar e aprovar as contas do governador, inclusive no metrô.

Isso já é escárnio. Não se pede linchamento, nem condenação sem direito à defesa. Mas nada justifica ele permanecer num cargo destes, enquanto responde à denúncias que são totalmente incompatíveis com o exercício do cargo.


(Com informações do Brasil247).